Mesmo sendo estrela de uma atração erótica na TV, Lenny tem histórias que ganham de qualquer roteiro de novela. Lenira Campos Lameira nasceu em 16 de agosto de 1931 na cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Por ser muito parecida com sua mãe, tornou-se a filha preferida de seu pai. "Minha mãe tinha muito ciúme e me batia por isso", lembra emocionada. "Um dia apanhei tanto e fiquei com tantas manchas roxas que não pude mais agüentar".
Aos sete anos, Lenira foi trazida para o litoral por uma francesa chamada Georgette e as duas foram morar na rua Pe. Donizette, na Vila Voturuá. "Ela pediu muito ao meu pai para me trazer. Como eu sofria muito, ele deixou que eu viesse servir de dama de companhia para aquela senhora". Depois da morte de seu pai, a mãe veio a São Vicente para ver se a encontrava, porque sabia que a madame havia aberto uma conta para a jovem Lenira, então com 13 anos. "Ela era analfabeta, mas procurou a polícia e disse que uma mulher havia me sequestrado". A polícia encontrou Lenira e a mãe verdadeira apenas disse que queria o dinheiro que a menina tinha no banco. Como o dinheiro só poderia ser retirado quando a filha fosse maior de idade, ela desistiu da guarda.
Ilegal no Brasil, Georgette mandou a menina de volta a Bauru para evitar problemas com a imigração, mas já a havia ensinado um menu de dar inveja a qualquer chef, de brioches a pururuca.De volta à cidade natal, ela colocou a mão na massa e em tudo que pudesse lhe render algum dinheiro. A vida estava começando a ficar difícil quando ela, já casada, resolveu tentar a vida na capital. "As coisas deram errado e eu me separei", recorda.
Sozinha, com duas filhas, Lenira trabalhou de governanta, lavou carros e fez comida boa pra vender. "Cheguei a ter apenas um pão, um tomate e uma cebola em casa". Do tempo de criança sofrida ao estrelato ficaram muitas marcas. "Até hoje não suporto Natal. Vou participar da ceia na casa da minha filha e a comida não desce. Só fico pensando naqueles que não têm nada para comer".
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário